SUS

SUS

Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica do Rio completa 9 anos

(Crédito: Divulgação/Governo do Estado do Rio de Janeiro)

Até o momento, mais de 3 mil pacientes foram operados com uma técnica menos invasiva, a videolaparoscopia

A obesidade é um problema sério de saúde. Por conta desse mal, milhares de pessoas perdem qualidade de vida, sofrem com baixa autoestima e contraem doenças como hipertensão, diabetes e artrose de joelho. A cirurgia bariátrica é uma das saídas mais procuradas nos casos mais graves.

Criando há 9 anos, em 10 de dezembro de 2010, o Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica do Estado do Rio de Janeiro já deu vida nova a mais de 3 mil pacientes. O número expressivo é comemorado ao lado do recorde de operações realizadas por meio de videolaparoscopia, um método cirúrgico menos invasivo e mais moderno, que proporciona melhor recuperação.

“A gente atendeu mais de 4 mil doentes no ambulatório, operamos mais de 2,6 mil pacientes em pouco mais de 8 anos. É um volume de cirurgias, para o SUS [Sistema Único de Saúde], absurdo”, comentou o coordenador do programa, Cid Pitombo, em entrevista ao portal Agência Brasil em maio deste ano. O Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica do Rio de Janeiro é o único a realizar todas as cirurgias por meio de videolaparoscopia na rede pública brasileira. 

Destaques do Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica

(Crédito: Divulgação/Governo do Estado do Rio de Janeiro)

O crescimento no número de cirurgias realizadas pelo programa surpreende: de 20 cirurgias anuais para 480, o aumento foi de 2.300%. A marca foi alcançada em outubro de 2019, mês em que é celebrado o Dia Mundial de Prevenção da Obesidade.

Pitombo comemora os resultados do programa: “É um trabalho de resgate desses pacientes, realizado com muita dedicação e seriedade por toda a equipe. Devolvemos à sociedade o paciente que antes era obeso, não trabalhava, tinha vergonha de comprar roupas e não tinha mais vida afetiva hoje empoderado, realizado e com qualidade de vida”.

Atualmente, mais de 4 mil pacientes ainda estão em acompanhamento pós e pré-operatório, realizado por uma equipe de 25 pessoas comandadas por Pitombo, entre cirurgiões, anestesistas, clínicos, psicólogos, enfermeiros e nutricionistas. Ao todo, são realizadas 40 cirurgias por mês.

Dados da obesidade no Brasil e no Rio de Janeiro

De acordo com dados do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, em 2018, foram realizadas 11.402 cirurgias bariátricas pelo SUS. Até maio de 2019, já havia sido alcançada a marca de 5.073 procedimentos em todo o país. No Rio de Janeiro, o Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica realiza os procedimentos no Hospital Estadual Carlos Chagas, pelo qual, desde 2010, já passaram pacientes de todas as regiões do estado. A média de atendimentos ambulatoriais é de 2 mil por mês, e a taxa de sucesso é de 99%.

Depois da cirurgia, o hospital mantém acompanhamento do paciente operado por 5 anos. “Se futuramente alguém precisar de uma plástica, a gente encaminha para serviços específicos. Mas é um percentual pequeno que busca a plástica depois da cirurgia”. Segundo Pitombo, o paciente que faz a cirurgia bariátrica tem melhorias na autoestima e na vida sexual, “porque se sente mais bonito ou bonita”.

Ainda segundo o especialista, a cirurgia bariátrica traz mais qualidade de vida e melhora a condição de outras doenças, como hipertensão, diabetes e artrose de joelho. Porém, o paciente precisa manter hábitos saudáveis para o resto da vida. “Tem que lembrar que, futuramente, vai envelhecer, ter mais dificuldade de perder peso porque está mais velho. Precisa manter um regime de vigília de dieta saudável, assim como todos nós deveríamos fazer”, destacou o médico.

Em maio de 2019, aproximadamente 1 mil pacientes estavam na fila do programa para a realização de cirurgia. Em média, são atendidas 160 pessoas por mês para a primeira consulta. O Estado do Rio de Janeiro é o terceiro no país em cirurgias desse tipo concluídas, perdendo apenas para São Paulo e Paraná.

Como ter acesso à cirurgia bariátrica pelo SUS

(Crédito: Divulgação/Governo do Estado do Rio de Janeiro)

Para fazer parte do Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica, o paciente precisa se enquadrar em alguns critérios, e essa qualificação é realizada por meio do Índice de Massa Corporal (IMC), calculado dividindo o peso da pessoa por sua altura elevada ao quadrado. Se o resultado dessa equação for maior do que 40, a pessoa pode procurar uma unidade pública ou posto de saúde e pedir para ser avaliada pelo Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica do Hospital Estadual Carlos Chagas.

Um médico fará a inscrição no Sistema Estadual de Regulação, que vai enviar o nome para a equipe de Pitombo. “A gente não atende diretamente os pacientes. Todos vêm pelo sistema de regulação”, afirmou o médico especialista. “O paciente que tiver Índice de Massa Corpórea dentro do indicado, ou seja, maior que 40 kg/m² ou acima de 35 kg/m² quando associado a outras doenças, como hipertensão e diabetes, está apto para a cirurgia e será avaliado por nutricionistas, psicólogos e médicos do programa”, explicou.

Caso seja apontado como potencial candidato à cirurgia, o paciente passa por avaliação dos especialistas e faz diversos exames. Só depois é encaminhado para a cirurgia. As regras da fila são estipuladas pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro.

Mais notícias

Miguel Pereira recebe R$ 29 milhões para hospital e UPA

Rio investirá R$ 25 milhões no Programa Estadual de Transplantes de Órgãos